jenerally:

What if the trans* person beaten to death could have cured cancer?

What if the gay teen who committed suicide from bullying could have cured cancer?

What if that young girl sold into the sex trade and died from untreated STIs could have cured cancer?

What if one of those hundreds of thousands…

genuine-x-beauty:

Mila Kunis

genuine-x-beauty:

Mila Kunis

(via le-vie)

pequeno léxico de palavras mal entendidas

Passo a minha vida tentando determinar quem sou eu. Mas eu não sou ninguém. Normalmente nós não somos, mesmo. Precisamos nos moldar de forma a nos enquadrar em cada situação na qual estamos inseridos. E essa parte que muda, essa camada superficial, é geralmente aquilo que me incomoda. Agimos de uma forma na frente de nossos parentes, de outra forma na frente de nossos amigos e ainda outra na frente de patrões e professores. Nos moldamos de acordo com a pessoa com a qual estamos em dado momento, mesmo que entre algumas delas não haja qualquer distinção em termos afetivos. Mesmo que seja entre dois amigos de longa data. Escolhemos a qual parte de nós vamos dar evidência e qual vamos ocultar, deixar guardada para exibir apenas com aquele outro que o tem em comum com você. 

Acredito que para ninguém existe uma unidade. Para si próprio, talvez. Existe uma unidade de mim para mim. O que me deixa tão inquieta todo o tempo é isso. De tempos em tempos fico cansada de ser eu mesma só comigo. Mas eu não posso me mudar, me reformar… posso reformar aquela minha camada superficial, mas a minha essência sempre vai continuar a mesma. Aí me dá uma aflição agoniante de querer mudar meus arredores, me dá vontade de entrar num avião com um rumo desconhecido (ir procurar Madrapur, talvez) e chegando lá adotar um outro nome e mudar a cor dos meus cabelos. Porque eu quero ser outra pessoa. Quero estar com outras pessoas, quero estar em outro lugar, algum lugar aonde eu assumidamente não conheça ninguém e não tenha então que me atormentar tentando qualificar quais partes de mim cada pessoa que eu amo conhece ou deixa de conhecer. Um lugar que, por ser novo e temporário, não vou me importar o mínimo com a imagem que passo. Esse é um sonho de infância, daqueles que de tempos em tempos se intensificam ao ponto do desespero, até ficarem amenos novamente, esperando a próxima oportunidade de emergir.

Todos passamos a vida fazendo um certo esforço para nos enquadrar em certo grupo, ou para não nos enquadramos em grupo nenhum, e aí acabamos formando um grupo com aqueles que tentam o mesmo que você e todos acabam se convertendo ivariavelmente em clichés. Aquela camada superficial de todos nós é cliché. Curioso é que a maioria das pessoas usam aquilo pra tomar como a verdade absoluta sobre alguém, quando aquilo reflete a mínima parte. Saber que todos aqueles que me observam não fazem senão me enquadrar em uma caixinha me dá vontade de sair por aí anunciando que eu sou mais. Eu sou mais. Saber que nunca vou entender o que se esconde por baixo de todos aqueles que parecem tão contentes em ser apenas parte de algo, também. Sou mais do que coisas que escuto, lugares que frequento e roupas que visto. Isso são coisas que variam de década em década, de maneira sempre uniforme. A vontade de exteriorizar tudo o que você é por dentro é daquelas coisas que mata; ninguém nunca vai conseguir fazê-lo. Aparências cansam. O que eu queria mais era não parecer ninguém. Não dá pra se ver por trás de tipos de roupas, cabelos e um rosto que é igual ao do pai e  semelhante ao de vinte celebridades diferentes e dois conhecidos de cada pessoa por aí. Quero ser mais, e ao mesmo tempo não quero ser nada. Não sou nada. Vai saber.

"Some people never go crazy. What truly horrible lives they must live."

— Bukowski

"The human heart has hidden treasures, in secret kept, in silence sealed; the thoughts, the hopes, the dreams, the pleasures, whose charms were broken if revealed."

— Charlotte Brontë